No final do ano passado, a Colliers mostrou como a procura habitacional internacional estava a mudar o centro das principais cidades portuguesas (ver aqui) e todos podemos ver, diariamente, como o apelo internacional do país cresce (ver aqui).

Nesse contexto, é fácil entender como as principais empresas internacionais começam a chegar a Lisboa e ao Porto. Ainda recentemente, surgiram notícias sobre a chegada da Amazon ao Porto, juntando-se a um vasto leque de empresas que a precederam nessa opção, catapultando a absorção de escritórios no Porto para máximos históricos, embora não deixando de expor as lacunas do lado da oferta. No mais recente estudo da Colliers, fica bem patente como as empresas internacionais estão a mudar o mercado de escritórios do Porto. Vasco Carvalho, Colliers Office Team, refere que “à medida que a procura se transfere dos pequenos profissionais liberais para importantes empresas internacionais, também, a dimensão dos negócios passa de abaixo de 200 m² para acima dos 1.000 m²”. Vasco considera que o negócio da Natixis não será um caso isolado, até porque “temos, regularmente, diversas empresas internacionais a pedir informações sobre o Porto, mas os promotores locais têm de perceber a oportunidade que existe neste mercado e colmatar o desequilíbrio da oferta”.

Esta mudança é sentida há mais tempo, em Lisboa, ficando patente no crescimento da área ocupada por empresas que chegam a Lisboa. Gustavo Castro, Research da Colliers International, aponta para “as transações de espaços com mais de 1.000 m², que representaram 62% da absorção total, enquanto abaixo dos 200 m², apenas 5%. É normal que muitos edifícios se revelem estruturalmente incapazes de acomodar as necessidades dos ocupadores num único piso, e, muitas vezes, a única solução passa por acomodar esses ocupadores em pisos intercalados”. Com as rendas a subir, a desocupação a descer, a absorção a crescer, a oferta é o principal problema, o que, por um lado, tem vindo a conduzir as empresas para fora da cidade de Lisboa, mas, por outro, acaba por penalizar a competitividade internacional de Lisboa.

Apesar dos problemas do lado da oferta, o investimento em escritórios liderou o investimento em imobiliário português, superando o habitual líder – comércio. Embora alguns edifícios e portfolios importantes permaneçam disponíveis no mercado, em 2018, o comércio voltará a liderar o investimento em imobiliário, com diversos centros comerciais já transacionados no princípio de 2018 e outros no pipeline. Num mercado com potencial de crescimento, yields decrescentes, uma economia estável e em crescimento e boas oportunidades de investimento, não é difícil perceber o que atrai os investidores internacionais e é ainda mais fácil prever que 2018 baterá máximos históricos antigos.

Para conhecer mais sobre o Office and Investment Market de Portugal, aceda aqui.